Reintrodução de dados em cascata
O mesmo nome, NIE, endereço e data de nascimento eram digitados pelo menos quatro vezes: no WhatsApp, no ERP, no PDF oficial e na pasta do drive.
Caso de sucesso — Caso 02 · Automação de processos
Uma consultoria de estrangeria em Madrid operava num processo 100% manual, disperso entre WhatsApp, e-mail, ERP e pastas de arquivo. Construímos a plataforma que executa o ciclo de vida completo sozinha — do primeiro contato do lead à entrega do documento oficial e à venda seguinte.
Resumo executivo
A consultoria capta o cliente, entende sua situação, recolhe documentação, preenche formulários oficiais do Estado espanhol, cobra, acompanha prazos e — quando o processo termina — identifica o próximo serviço de que aquela mesma pessoa vai precisar.
Nada disso era software. Uma pessoa lia o WhatsApp, outra criava o contato no ERP, outra abria a pasta no drive, outra digitava os mesmos dados num PDF do Ministério, outra lembrava de cobrar, outra lembrava de perguntar “e a sua esposa, já tem o NIE?”. Cada etapa era um ponto de falha e um custo.
Desenhamos e construímos o eMAS: uma plataforma de orquestração que conecta os sistemas que a empresa já usava, automatiza o que tinha API, automatiza por RPA próprio o que não tinha, e coloca por cima uma camada de inteligência comercial que transforma o histórico operacional em pipeline de vendas.
O resultado não é uma ferramenta — é uma fábrica de processos configurável. A equipe de negócio cria um serviço novo, monta o formulário arrastando componentes, sobe o PDF oficial, liga campo com campo, define o fluxo de tarefas, e a plataforma passa a executar aquele serviço de ponta a ponta sem que uma linha de código seja escrita.
| O que torna esse negócio caro de operar à mão | Consequência |
|---|---|
| Formulários oficiais rígidos | Modelos do governo com centenas de campos, nomenclatura interna caótica e zero tolerância a erro. Um campo errado = processo devolvido = semanas perdidas. |
| Múltiplos beneficiários por venda | Um orçamento não é “um cliente, um serviço”. É uma família de quatro pessoas, três serviços diferentes, cada um com seus documentos e seu prazo. |
| Ciclo de vida longo e encadeado | Quem tira o NIE hoje precisa de outro serviço em seis meses. Essa recorrência é a maior fonte de receita — e era gerida por memória humana. |
O problema
Mapeamos o processo inteiro antes de escrever qualquer código. O padrão que apareceu foi sempre o mesmo: o ser humano era a integração entre os sistemas — e a capacidade da empresa era, portanto, linearmente limitada pelas horas da equipe.
O mesmo nome, NIE, endereço e data de nascimento eram digitados pelo menos quatro vezes: no WhatsApp, no ERP, no PDF oficial e na pasta do drive.
Descobrir “em que ponto está o processo do Sr. X” exigia abrir quatro abas e perguntar a duas pessoas.
Criar pastas de projeto, convidar a equipe e anexar documentos no ERP simplesmente não é exposto por API pública.
A pessoa deixou de ser a integração entre os sistemas.
É essa frase, e não uma lista de funcionalidades, que resume o que mudou.
O antes e o depois
O princípio de desenho veio antes da primeira linha de código: o eMAS não foi construído como “um sistema que faz os serviços daquela consultoria”, mas como um motor genérico que executa serviços definidos por configuração.
A plataforma se organiza em torno de um orquestrador central (EmasService), quatro motores especializados — documental, comunicação, sincronização e RPA — e uma camada de jobs do Hangfire com estado persistido, que garante que nada se perde se o servidor cair no meio de uma execução.
Módulo 01
O problema: cada serviço pede informações diferentes. Vinte formulários codificados à mão seriam vinte componentes para manter, testar e traduzir — e cada pedido do negócio viraria um ticket de desenvolvimento.
No back-office, um form builder com canvas de arrastar-e-soltar em grid responsivo. No portal do cliente, um renderizador que interpreta essa definição em tempo de execução. O formulário deixa de ser código e passa a ser dado.
O cliente final passa a ter uma experiência de produto digital, não de troca de e-mails. E a consultoria ganha autonomia total: criar ou alterar um formulário virou tarefa de negócio, não de TI.
Módulo 02
O problema: um orçamento aceito não diz “o cliente comprou o serviço X”. Diz “3 unidades da linha A com a etiqueta nac_residencia, 2 da linha B com arraigo, e a família tem 4 pessoas em campos personalizados”. Traduzir isso em processos é um problema combinatório real, não um if.
CustomerServiceOrder com N SoldService: um por serviço e por beneficiário.O motor cria o projeto no ERP com nome padronizado, popula com listas Kanban e as tarefas do workflow, gera a estrutura de pastas no drive a partir de templates parametrizáveis, dispara o RPA para o que a API não expõe, e marca a oferta com uma etiqueta de processamento — o que garante que o mesmo orçamento nunca é processado duas vezes.
202 Accepted com um identificador de job e o front acompanha o estado real. Nada de requisições HTTP de dez minutos.Uma venda aceita se converte sozinha em toda a infraestrutura operacional necessária para executá-la. O tempo entre “o cliente disse sim” e “o processo está pronto para começar” caiu de horas de trabalho administrativo para segundos de execução automática.
Módulo 03
O problema: os PDFs oficiais do Estado espanhol são AcroForms com nomes de campo internos indecifráveis. No Certificado de Residencia Comunitaria, o campo do primeiro sobrenome se chama CP, o do e-mail se chama DN IN IEPAS. Não existe convenção. Nenhum mapeamento pode ser adivinhado.
Ao subir um PDF, a plataforma o inspeciona, extrai a lista completa de campos com seus tipos e gera uma cópia anotada visualmente — cada campo marcado com seu identificador interno. É esse artefato que torna humanamente possível mapear um formulário que ninguém documentou. O operador então dá a cada campo críptico um nome legível, com validação de unicidade em tempo real: o caos externo fica encapsulado.
Todo arquivo que entra passa por um otimizador com limite-alvo. A rasterização não é um passo único: percorre uma escada de combinações de DPI e qualidade, mede o resultado a cada nível e para no primeiro que atinge o alvo, guardando sempre o menor resultado obtido como fallback. Isso preserva a melhor legibilidade possível dentro da restrição — em vez de destruir a qualidade por precaução.
O erro de transcrição em formulário oficial — a falha mais cara do negócio, porque custa semanas de reprocessamento e credibilidade junto ao cliente — deixa de ser possível por construção. O dado é digitado uma vez pelo próprio interessado e flui, validado, até o documento oficial.
Módulo 04
O problema: ações essenciais do ERP não têm API pública, e o sistema ainda exige autenticação de dois fatores por e-mail. As plataformas de RPA de mercado resolveriam — ao custo de licenças recorrentes, por robô, indefinidamente, numa empresa cuja margem depende de custo operacional baixo.
No caso do WhatsApp, em vez de navegar clique a clique, o robô faz login, extrai o token do armazenamento local do navegador e passa a consumir a API interna diretamente, com paginação. É a robustez de uma chamada HTTP com o acesso de uma sessão de navegador.
Todas as funcionalidades do ERP passam a ser automatizáveis, incluindo as que o fornecedor nunca pretendeu expor. E o custo recorrente de licenciamento de RPA — que numa operação como esta seria uma linha permanente no orçamento — é zero.
Módulo 05
O problema: documentos precisam existir em dois lugares ao mesmo tempo — na pasta do cliente no drive, onde a equipe trabalha, e anexados ao projeto no ERP, onde o processo vive. Manter isso à mão é garantia de divergência.
Pastas de cliente e de projeto são identificadas por prefixos gravados no campo de descrição do item. O vínculo entre uma pasta e um projeto do ERP sobrevive à renomeação da pasta por um usuário — uma decisão pequena que elimina uma fonte contínua de quebras.
O arquivo que o cliente enviou às 22h de um domingo está, sem intervenção humana, otimizado, na pasta correta, anexado ao projeto correto e visível para a equipe na segunda de manhã.
Módulo 06
O problema: e-mails escritos à mão, um a um, em três idiomas, com o risco permanente de esquecer o follow-up ou de enviar duas vezes.
Comunicação consistente, no idioma do cliente, no momento certo, com conteúdo sempre atualizado — e com um humano no controle sempre que quiser assumir. É a diferença entre automação que parece automação e automação que parece atenção.
Módulo 07
O problema: a recorrência é a principal alavanca de receita do negócio, e era gerida por intuição.
Um editor visual onde a direção desenha o mapa da jornada: cada serviço é um nó, cada relação é uma aresta com propriedades — atraso em dias, probabilidade de conversão, a quem notificar. As posições dos nós são persistidas: o mapa é um artefato de negócio, não um desenho descartável.
Quando um serviço vendido é concluído, o motor lê as arestas que partem daquele nó e, para cada uma, verifica se já existe registro para aquele par (idempotência), cria o log, agenda o job com o atraso configurado e guarda o identificador — o que permite cancelar depois. No disparo, valida se o cliente já comprou o serviço de destino: se sim, marca como ignorado em vez de enviar uma oferta constrangedora do que a pessoa já tem.
Clicar num número abre a lista nominal de pessoas por trás dele — nome do beneficiário, cliente, dias parado no estágio, estado da automação e o serviço de origem que gerou aquela oportunidade. A métrica deixa de ser um número num painel e vira uma lista de ligações a fazer hoje. E o comercial pode descartar uma oportunidade com justificativa: ela sai do pipeline, das métricas e da automação — o sistema aprende com o julgamento humano em vez de insistir contra ele.
| Métrica | Como é calculada | Para que serve |
|---|---|---|
| Funil de profundidade | Quantos clientes têm 1, 2, 3+ serviços concluídos, com a queda entre camadas | Mostra onde a relação com o cliente morre |
| Conversão do grafo | Por nó com saída, a fração de beneficiários que concluíram a origem e adquiriram algum destino | Mede a força real de cada caminho da jornada |
| Time to upsell | Média de dias entre serviços consecutivos do mesmo cliente | Calibra o atraso ideal de cada aresta |
| Pipeline de potencial | Soma dos preços-base dos serviços de destino ainda não adquiridos, excluídas as oportunidades descartadas | Receita identificada e endereçável, hoje |
Mais dois pilares
Impor um único meio de pagamento a um público internacional é perder vendas. Três caminhos convergem para o mesmo estado de “pagamento confirmado”, que é o gatilho para a continuidade do processo:
Camada transversal, construída desde o primeiro dia — não acrescentada depois:
Engenharia
| Decisão | Alternativa comum | Por que a nossa escolha ganha |
|---|---|---|
| Configuração no banco, não em código | Um controlador por serviço | O negócio cria serviços sozinho; o custo marginal do enésimo serviço tende a zero |
| RPA proprietário | Licenciar uma plataforma de mercado | Custo recorrente zero, integração nativa com a lógica de negócio, controle total do comportamento |
| Lock distribuído declarativo | Semáforos espalhados no código | Colisões impossíveis por desenho, não por disciplina do desenvolvedor |
| Delta Query com recuperação de estado perdido | Varredura completa periódica | Ordens de magnitude menos chamadas de API, e resiliência quando o estado de sincronização se perde |
Fire-and-poll com 202 Accepted | Requisição HTTP síncrona longa | Nenhum timeout, feedback de progresso real, servidor liberado |
| Identidade de pastas em metadados | Vínculo pelo nome da pasta | Sobrevive à renomeação por usuários — elimina uma classe inteira de quebras |
| Identidade externa na fila de e-mails | Enfileirar e esquecer | Permite não duplicar, atualizar conteúdo antes do envio e cancelar |
| Upload em staging | Arquivos na memória do navegador até submeter | Nada se perde em abandono; suporta arquivos grandes; formulário retomável |
| Otimização em cascata com alvo | Compressão de taxa fixa | Preserva a máxima qualidade compatível com o limite, em vez de degradar por precaução |
| Elemento-âncora no RPA | Confiar em sleep | Robô determinístico, com falha explícita e diagnosticável |
| Idempotência por etiqueta no ERP | Controle apenas interno | O estado de processamento fica visível também para quem trabalha dentro do ERP |
Stack tecnológico
Benefícios
Resultados
| Indicador | Antes | Depois |
|---|---|---|
| Digitações do mesmo dado | 4 ou mais | 1 |
| Custo recorrente de licenças de RPA | linha permanente no orçamento | € 0 |
| Tempo entre aceitação da oferta e abertura do processo | horas de trabalho administrativo | segundos |
| Integrações necessárias para lançar um serviço novo | um ciclo de desenvolvimento | uma tarde de configuração |
| Sistemas que a equipe precisa abrir para saber o estado de um processo | quatro abas e duas pessoas | um painel |
Também são observáveis desde já: a eliminação estrutural da reintrodução de dados entre sistemas, o follow-up de documentação que deixou de depender de memória humana, e o cross-sell que passou de oportunista a sistemático e mensurável.
O que fica é uma plataforma que não resolve os problemas de hoje daquela consultoria — resolve a classe de problemas a que eles pertencem.
Execução
| Fase | Duração | Entregáveis |
|---|---|---|
| 1 · Descoberta e desenho | 3 dias | Mapeamento de processos, arquitetura técnica, UX/UI e modelo de dados |
| 2 · Backend e integrações | 2 semanas | API REST, lógica de negócio, integrações com o drive e o ERP, geração de PDF |
| 3 · Frontend | 1 semana | Formulários dinâmicos, interface do dashboard, conexão com a API |
| 4 · RPA | 2 semanas | Robôs, ambiente de execução, gestão de credenciais e exceções |
| 5 · Dashboard e comunicação | 2 semanas | Cálculo de métricas, grafo de serviços, motor de e-mail e recomendação |
| 6 · Testes e entrega | 1 semana | Testes de integração, desempenho e segurança, UAT, produção e documentação |
Próximo projeto